Literatura. “Levementeleve”, da cronista mineira, será lançado neste domingo na capital O novo livro de Laura Medioli João Pombo Barile "Levementeleve" é nome do novo livro que a escritora Laura Medioli lança domingo, das 16h as 18h, na Bienal do Livro em Belo Horizonte. Depois de "Levando a Vida Leve", publicado em 2005, a cronista do Magazine volta agora às livrarias com um novo volume de crônicas. "Tive uma infância feliz. Com muito quintal e pé no chão. E sempre escrevendo, escrevendo. Na importava o que: poesia, teatro, prosa...", rememora Laura na sua sala onde comanda a Sempre Editora, responsável pelos jornais O TEMPO, Super Notícias e o semanário Pampulha. "Desde pequena adorava escrever peças de teatro que obrigava minhas amigas a encená-las", recorda, divertindo-se. A paixão pela escrita, no entanto, ficaria sempre escondida na gaveta. E só seria revelada publicamente anos mais tarde, quando o ofício de cronista semanal virou coisa séria. "Antes de começar a produzir crônicas já tinha escrito algumas peças de teatro", conta Laura que, em 1995, publicou "Xangó, o Detetive e o Mistério de Matinho," destinado ao público infanto-juvenil e adotado em algumas escolas e bibliotecas estaduais. "Mas crônica é diferente: ficava um pouco insegura. Será que tinha mesmo jeito para a coisa? Será que dava conta de escrever toda semana? ", afirma. Tanta exigência talvez encontre explicação na origem familiar de Laura. Fazer parte de um clã que inclui nomes como Aníbal Machado, Maria Clara Machado, Lúcia Machado de Almeida e Ângelo Machado não deve ser lá mesmo muito fácil. Depois de treinar a mão durante alguns meses, ela finalmente aceitaria o desafio. E desde então, até hoje, lá se vão seis anos. Para o exigente escritor Sebastião Nunes, o que mais impressiona nas crônicas de Laura é a maneira como ela narra. A construção de suas histórias é sempre leve: uma lição de como escrever sem pedantismo, com beleza e graça. "Minas sempre foi berço de grandes escritores: Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino, Murilo Rubião... Sempre adorei ler todos os cronistas brasileiros. Mas sou fascinada mesmo pelo Fernando Sabino", confidencia a autora. "Adoro a maneira direta, sem floreiros, que ele narrava suas histórias. Ele sempre foi um referencial para mim", confessa. Laura afirma que para ser cronista é necessário, antes de tudo, ser um bom observador de comportamentos. "As pessoas nos dão no seu dia a dia uma fonte inesgotável de assuntos. A crônica nada mais é que o cotidiano das pessoas retratado por meio da escrita", explica. "O importante é saber retirar desse cotidiano os fatos pitorescos, engraçados e diferentes". Trabalhando em uma empresa de comunicação, tendo que ser sempre muito objetiva, será que Laura acredita em inspiração para escrever suas crônicas? Ela para, pensa um pouco, e depois dispara. "Não tenho muito um método para escrever não. Uma crônica pode nascer de muitas maneiras. Às vezes no meio da noite, levanto da cama e vou para o computador", explica a autora, que ainda conta que as viagens que faz com a família servem muitas vezes de inspiração. "Uma vez, estava andando em uma rua na cidade de minha sogra e me veio então uma frase: ‘De repente, endoideceu a loba’. A frase então não saiu mais da minha cabeça. Quando cheguei em casa, escrevi então uma crônica".
Um retrato da mulher contemporânea Casada há 23 anos com o empresário Vittorio Medioli, fundador da Sempre Editora e presidente do Grupo Sada, e mãe de duas filhas, Laura se emociona quando fala do retorno de suas crônicas com os leitores. Uma resposta tão grande que faz com ela arranje um tempinho na sua agenda para responder todo mundo. "Recebo muitos e-mails e também muitas cartas: costumo responder todos. Acho gostoso esse carinho dos leitores". Se, em todas as 56 crônicas do novo livro, o bom humor é uma constância, a mulher contemporânea parece ser mesmo um dos grandes temas de sua obra. Será? "Grande parte das minhas personagens é feminina", admite a autora. "As mulheres têm uma carga emocional dentro delas muito grande, uma intuição aguçada e uma maior sensibilidade para compreender o que se passa na alma humana. As minhas mulheres são apaixonadas, divertidas, ciumentas, enlouquecidas, românticas, precipitadas, sensuais, interessantes, protetoras, curiosas, sensíveis... Enfim, mulheres, com todo o seu universo", finaliza a escritora. (JPB) | |||||
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sábado, 10 de julho de 2010
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